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Importância do Projeto CENINSA
No Nordeste Brasileiro as atividades do agronegócio são
voltadas para os períodos de chuva. Sua população
é predominantemente do meio rural e tem como principais atividades
econômicas, a agricultura e a pecuária. Se não
houver um período chuvoso razoável, as safras são
prejudicadas, os animais perdidos, e o homem do campo muda-se para
as grandes cidades.
A expulsão da população é fato constante,
a quantidade de camponeses que se deslocam do interior para as capitais
da região, bem como para as outras regiões do país,
principalmente para a região Sudeste, é bastante expressiva.
Para se ter idéia, segundo dados do IBGE (1996), só
em 1991, 631.396 pessoas saíram do Nordeste rumo ao Sudeste.
"É justamente da conjugação do meio ambiente
adverso com a atividade econômica basicamente dependente dos
fortuitos da natureza que emerge a extrema vulnerabilidade deste
sistema produtivo, sujeito a virtuais colapsos nas ocasiões
climáticas desfavoráveis à produção.
Daí, em parte, derivam a fragilidade da economia regional,
a pobreza generalizada e a miséria absoluta em uma escala
que fazem o Nordeste brasileiro junto com sua porção
semi-árida, o maior bolsão de miséria de todo
o hemisfério ocidental" (ARAÚJO et al, 1996).
Na região Nordeste, apesar da grande concentração
de terras, há um grande número de pequenos estabelecimentos,
ou unidades de produção familiar. Há registro
de que boa parte da produção dos principais alimentos
vem das propriedades com menos de 100ha que representam 91% das
unidades de produção apesar de ocupar apenas 28% da
área de estabelecimentos rurais (ARAÚJO et al, 1996).
Estas unidades de produção enfrentam várias
dificuldades como, por exemplo, o difícil acesso à
tecnologia e à informação, não possuem
recursos financeiros para investimento em modernização
tecnológica e, portanto, não conseguem se inserir
com competitividade nos complexos produtivos a que pertencem. Com
este mesmo problema praticamente convivem todas as pequenas empresas
dos diversos elos das cadeias produtivas e clusters agroindustriais,
na região Nordeste.
Segundo FARINA & LAZZARINNI (1997) "a existência
de núcleos de cooperação, além de promover
um compartilhamento de custos, proporciona um aumento de eficiência
global do sistema. Um pequeno produtor ou uma pequena empresa não
pode contratar um gerente financeiro, um especialista de marketing
ou um engenheiro agrônomo, mas um conjunto de empresas associadas
pode".
Não é uma tarefa simples delimitar as fronteiras
que venham a definir o que seja o agronegócio em um país
como o Brasil, que já atingiu um grau de industrialização
muito acentuado. Entretanto, diversos estudos que analisam o agronegócio
brasileiro, compreendendo os negócios da agropecuária
"dentro e fora da porteira", estimam que ele representa
mais de 30% do PIB nacional, onde mais de 35% da população
economicamente ativa residente está empregada e responde
por 40% das nossas exportações (HADDAD et al, 1999).
Para uma melhor compreensão do agronegócio é
necessário que haja uma visão sistêmica dos
setores, de maneira que os elementos não sejam vistos de
forma independente, mas como um todo que passa a ser maior que a
soma de suas partes. Neste caso, os estudos e análises dos
arranjos ou cadeias produtivas e dos clusters regionais tornam-se
uma necessidade vital para o desenvolvimento regional sustentável.
Segundo NEVES (1996), todos os integrantes de um sistema produtivo
devem estar em harmonia, inclusive com os consumidores finais, com
as tendências, com o mercado, com os produtos derivados do
processamento entre outros.
"Somente a visão sistêmica permite o desenvolvimento
harmônico e sustentável na medida em que prioriza o
ajuste dos mecanismos de interação, sem o qual torna-se
impossível coordenar um sistema agroindustrial" (ARAÚJO
et al, 1996).
Nos sistemas agroindustriais, "o enfoque sistêmico exige
do trabalhador habilidade para operar em ambiente difuso e mutante,
tomar decisões e assumir responsabilidades, assim como trabalhar
de forma interdisciplinar, introduzindo conotações
diferentes às relações de trabalho. Conseqüentemente,
o domínio e o gerenciamento do fluxo de informações
passam a ser um dos principais insumos de produção"
(GONTOW, 1997).
De acordo com FERREIRA (1997), em função do intenso
desenvolvimento da ciência, tecnologia e dos setores produtivos
e a forte competição num mercado globalizado, é
fundamental o papel da informação e de outras tecnologias
básicas como principal insumo das organizações,
constituindo fator chave de sucesso para qualquer empresa ou organismo.
"A informação é um dos maiores recursos
para que o país possa formar-se entre aqueles capazes de
tratar, armazenar e difundir suas tecnologias, gerando, assim, novos
conhecimentos que contribuirão para melhoria da qualidade
de vida da população" (FÉLIX, 1996).
Nos anos 60, a informação começa a ser considerada
recurso fundamental para o desenvolvimento econômico e social
dos países, e conseqüentemente uma forte aliada contra
a miséria. Nos países de Terceiro Mundo essa idéia
repercutiu de forma especial, fazendo com que esses países
colocassem a informação como objetivo principal nas
políticas nacionais (SILVA, 1995).
A informação é insumo básico para o
desenvolvimento das nações, proporciona suporte àqueles
responsáveis pelas tomadas de decisão e possibilita
a transferência de conhecimentos acumulados entre os geradores
e detentores de tecnologias, e aqueles que buscam o desenvolvimento
e inserção no mercado mundial. Permite a previsão
de tendências relacionadas a definição de objetivos,
metas, mercado, pesquisa e desenvolvimento. A utilização
das novas tecnologias de informação possibilita o
acesso mais fácil aos dados. As empresas que reconhecem o
papel e a importância da informação tecnológica
tendem a tornar-se mais competitivas no mundo globalizado (FÉLIX,
1996).
A INTERNET vem se transformando no maior nicho de informação
do mundo. Com a sua popularidade e eficiência, vem invadindo
todos os meios de produção e vem trazendo uma gama
de oportunidades para todos os ramos da sociedade. Criar, instalar
e manter um serviço e/ou um sistema de informação
na INTERNET é um investimento relativamente baixo, quando
comparado aos meios tradicionais de informação, e
tem ainda a grande vantagem de ser um sistema interativo, permitindo
fácil atualização e inserção
de novos dados (OLIVEIRA, 1997).
É necessário, portanto, trazer este recurso de amplas
possibilidades para dentro das micro e pequenas empresas, para dentro
do campo, para o micro empresário, para o produtor rural,
e mais amplamente para todos os atores das principais cadeias ou
arranjos produtivos e clusters do agronegócio do Nordeste
brasileiro. O Nordeste é uma região que oferece condições
singulares para maximizar os benefícios potenciais de uma
rede de informações através da INTERNET devido
a sua conveniente distribuição em seu espaço
geopolítico e por apresentar-se extremamente favorável
no que se refere à dinamização do setor de
serviços, no qual a INTERNET e as tecnologias da informação
podem ocupar posição de destaque. "Para uma região
com tantas necessidades, a informação torna-se um
recurso vital e diferenciador para o desenvolvimento regional"
(ARAÚJO, 1997).
E é aí que reside uma das grandes vantagens deste
sistema de informação idealizado e desenvolvido pela
ABIPTI, todos os seus parceiros, com recursos da SUDENE, ou seja,
a constante atualização de todas as informações
sobre os diversos elos das principais cadeias ou arranjos produtivos
e clusters do agronegócio do Nordeste, permitindo análises
sempre atualizadas do estado da arte destes complexos agroindustriais.
A base de dados do sistema de informação deste projeto
tem como principal objetivo, contribuir para a organização
das informações e apoiar a gestão dos sistemas
agroindustriais do Nordeste brasileiro. É um trabalho inédito
para as principais cadeias ou arranjos produtivos e clusters do
agronegócio da região.
Neste sistema de informação, consumidores, pesquisadores,
profissionais, pequenos e grandes produtores, micro, pequenas, médias
e grandes empresas, todas as instituições de coordenação
e fomento e todas as organizações de pesquisa e desenvolvimento
tecnológico podem se cadastrar, fazer consultas e pesquisas
como também contribuir com sugestões e novos dados,
além de poderem fazer negócios utilizando-se das facilidades
mediadas pelas modernas tecnologias da informação
através da INTERNET.
Ressalte-se finalmente, que o Ministério da Ciência
e Tecnologia, através da Rede Nacional de Pesquisa - RNP,
concluiu em muitos estados do Nordeste o Projeto Tecnologias da
Informação a Serviço do Nordeste que expandiu
infra-estrutura de conexão de redes com acesso à INTERNET
para aplicações estratégicas do interesse da
região Nordeste. Mais recentemente o MCT concebeu o projeto
da Sociedade da Informação que tem como objetivos:
promover amplo acesso à informação, acelerar
a oferta e procura de serviços, proporcionar interação
entre os diversos segmentos da sociedade e gerar novas empresas
e empregos, contribuindo para a melhoria do nível de vida
da população.
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