Central de Informações de Sistemas Agroindustriais
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Considerações sobre os conceitos de agronegócio e sobre as metodologias de análise de cadeias produtivas e estudos de casos de clusters agroindustriais

Em outros tempos, a palavra agricultura era utilizada como um termo abrangente que englobava outras atividades além do plantio, como a criação de animais, produção de equipamentos de transportes e insumos (defensivos, fertilizantes, químicos), armazenamento, processamento dos alimentos e a comercialização dos produtos. Os produtores não eram especializados, e conheciam todo o setor num nível de especificidade suficiente para as exigências da época. Com a modernização, tecnificação e exigência por melhores produtos, atividades como a produção de insumos, máquinas e implementos e a pesquisa passam para mão de especialistas e são chamadas de atividades de ·antes da porteira·. Por outro lado, o processamento, a distribuição, o transporte e a comercialização passam a ser realizados por empresas mais eficientes e chamadas de ·após a porteira·. Dessa forma a atividade da agricultura passou apenas a englobar as atividades de ·dentro da porteira·, ou seja o plantio, a colheita e a produção de animais (MACHADO FILHO et al, 1996).
Foi analisando e estudando as transformações da agricultura, que Davis e Goldberg em 1957, formularam um conceito para o termo agronegócio ou agribusiness:

·É a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles·.

Portanto, pode-se entender que o agronegócio engloba desde os produtores de matéria-prima, os fornecedores de insumo à agricultura, os produtores rurais, os processadores, transformadores, distribuidores até o consumidor final. Os agentes que coordenam e afetam o fluxo dos produtos tais como o governo, os mercados, entidades comerciais também participam desse complexo (ARAÚJO et al, 1996).

"Uma agroindústria é uma empresa que processa materiais de origem vegetal ou animal. O processamento envolve transformação e preservação através de alteração física ou química, estocagem, embalagem e distribuição. As agroindústrias podem ser classificadas, de forma simplificada, de acordo com o grau em que a matéria-prima é transformada. Em geral, os investimentos de capital, a complexidade tecnológica e os requisitos de gerenciamento aumentam à medida que o grau de transformação se amplia" (HADDAD et al, 1999).

Segundo HADDAD et al (1999), os clusters consistem de indústrias e instituições que tem ligações particularmente fortes entre si, tanto horizontal quanto vertical, e, usualmente incluem: empresas de produção especializada; empresas fornecedoras; empresas prestadoras de serviços; instituições de pesquisa e desenvolvimento; instituições públicas e privadas de suporte fundamental. Dentro deste espectro, o estudo de um cluster focaliza os insumos críticos, num sentido geral, que as empresas geradoras de renda e de riqueza necessitam para serem dinamicamente competitivas. A essência do desenvolvimento de clusters é a criação de capacidades produtivas especializadas dentro de regiões de seu desenvolvimento econômico, ambiental e social·.

Em função da complexidade da definição de um cluster, o autor sugere um roteiro metodológico para estabelecer a análise de clusters:

1) Delimitação da área geográfica relevante;
2) Levantamento de Indicadores de Performance Setorial (produção, produtividade, qualidade);
3) Caracterização da Estrutura dos Aglomerados ou Complexos Produtivos (Cadeia ou Arranjo Produtivo);
4) Identificação dos Serviços de Suporte Empresarial ao Cluster;
5) Identificação dos Fornecedores de Suporte Fundamental;
6) Determinação dos Indicadores de Desenvolvimento Social da Região onde opera o Cluster;
7) Determinação dos Indicadores Ambientais;
8) Determinação do Nível de Desenvolvimento da Cultura Organizacional das Empresas pertencentes ao Complexo Produtivo;
9) Identificação da Demanda de Insumos de Conhecimento, de Pesquisa e de Ciência e Tecnologia no Cluster;
10) Mecanismos de Inserção dos Institutos de P&D no Cluster (Formas de Cooperação Público-Privado).

Levantamento das principais cadeias ou arranjos produtivos e identificação dos possíveis clusters do agronegócio da região Nordeste
Nas etapas de análise e estudo de cadeias produtivas e identificação de possíveis clusters da região Nordeste, levantou-se as principais metodologias de análise e estudo desenvolvidas por diversas instituições, a exemplo do PENSA/USP, CNI/IEL, FINEP, SEBRAE, CNA, CNPq, EMBRAPA, Banco do Nordeste, entre outras. Após este levantamento elaborou-se um roteiro metodológico unificado para abranger da melhor forma possível todos os estudos de cadeias produtivas e clusters do agronegócio da região Nordeste. A partir desse processo de definição da metodologia unificada, escolheu-se 04 cadeias ou arranjos produtivos de impacto no desenvolvimento sócio-econômico do agronegócio de alguns estados da região Nordeste. Esta escolha baseou-se na capacidade de organização desses arranjos em termos de: eficiência econômica; competitividade; geração de emprego e renda.

Para essas cadeias produtivas e/ou clusters foram levantadas todas as informações para gestão e coordenação das mesmas em nível regional. Ou seja, para esses 04 complexos produtivos especificou-se a estrutura de produção em cadeia e todas as informações dos diversos elementos de análise e dos atores (fornecedores, produtores, processadores, distribuidores, varejistas, consumidores, instituições de coordenação, de pesquisa e desenvolvimento, de governo, etc) envolvidos com esses complexos.

Na metodologia de análise das cadeias ou arranjos produtivos agroindustriais, utilizou-se como modelo de estruturação, com algumas adaptações, o seguinte esquema de estudo no projeto CENINSA:

FIGURA 1 · Elementos dos Sistemas ou Cadeias Produtivas do Agronegócio
FONTE: (PINHEIRO MACHADO et al, 1996) Adaptado de SHELMAN (1991)

Considerações sobre o Desenvolvimento do Sistema de Informação para Gestão de Cadeias ou Arranjos Produtivos e Clusters do Agronegócio da Região Nordeste - Análise dos Requisitos de um Portal na INTERNET

Os serviços de informação baseados em tecnologias Web se tornam cada vez mais importantes nos ambientes produtivos. A organização de clusters e cadeias produtivas reunindo fornecedores, produtores, beneficiadores, prestadores de serviços, consumidores, e outros atores de um dado segmento produtivo tem estimulado o desenvolvimento de novas aplicações a partir do uso dessas tecnologias. É importante ressaltar que o uso da informação no âmbito do arranjo/cadeia ou cluster assume, por vezes, múltiplas perspectivas em função do papel que cada ator desempenha, sendo expressa de diferentes formas. Existe, portanto, a necessidade de se organizar um framework comum que seja capaz de suportar uma visão conceitual para o entendimento dos diferentes relacionamentos encontrados numa cadeia produtiva.

O DSC/UFCG, ao assumir o desafio de apoiar o desenvolvimento do Portal CENINSA idealizado numa parceria da ABIPTI com o PaqTcPB, tratou de investigar a melhor conduta para o desenvolvimento de um serviço de informação que pudesse evoluir de forma ágil e em sintonia com as diferentes demandas dos atores produtivos envolvidos. Nesta direção, um dos primeiros resultados alcançados foi a concepção de um framework conceitual que organiza e define as características de um Portal para Gestão de Clusters/Cadeias Produtivas. A importância disto é a obtenção de um ambiente de desenvolvimento que pode ser reutilizado para desenvolvimento de outros temas.

O framework conceitual proposto (figura abaixo) poderá ser útil para especificar as necessidades de um Portal Web orientado à gestão de clusters/cadeias produtivas, apresentando algumas metas chaves:

· Com o crescente uso da INTERNET e de aplicações baseadas em tecnologias Web, os negócios passaram a operar com demandas antes deixadas à margem. O framework conceitual do Portal Web proverá modelos alternativos para gerência de novos negócios - suportados por serviços de informação integrados e identificados com as condutas atuais e novas em uso na negociação entre os diferentes nós da cadeia. A estruturação de tais serviços de informação para diferentes atores, com objetivos e limitações distintos, e envolvendo condutas de negociação também diferenciadas, é um desafio. Ao propor um framework conceitual espera-se minimizar tal dificuldade.

· O ambiente, onde os relacionamentos entre os atores produtivos se dão, segue hoje uma exigência do mercado, expõe condutas e papéis numa perspectiva integrada, e depende de ligações prioritárias organizadas ao longo da cadeia. Novos e velhos negócios dependem da comunicação ágil entre tais ligações. Um framework conceitual deverá ajudar a entender como esses relacionamentos ocorrem e de que forma podem ser gerenciados.

· A explosão de aplicações de e-business, em todo o mundo, acena com inúmeras soluções focadas em atores específicos da cadeia, resolvendo partes do sistema explicitado pela totalidade dos relacionamentos. Um framework conceitual tem como desafio mapear essas tecnologias ou componentes de arquiteturas de e-business nos diferentes níveis de negócios da cadeia.

Modelo conceitual para Gestão de Clusters/Cadeias Produtivas via Web.

Modelo conceitual para Gestão de Clusters/Cadeias Produtivas via Web.

Uma outra vantagem do framework conceitual é a possibilidade de se organizar um número inicial de processos de negócios requeridos, organizando e sintetizando algumas atividades típicas a serem suportadas, como as definidas na tabela a seguir.

P1 Marketing/Busca de Informação Coleta/gestão de informação sobre os atores produtivos, produtos e serviços
P2 Intercâmbio de informação Troca de informação, por exemplo, alternativas de manejo, dados sobre mercados, etc
P3 Comparação de alternativas Comparação entre produtos ou serviços alternativos
P4 "Pré" Procurement Apoio no "casamento" oferta/demanda de produtos ou serviços
P5 Interface com parceiros institucionais Como por exemplo nas demandas coletivas por novas formas de financiamento
P6 Entrega de conteúdo digital Disponibilização de conteúdos digitais tais como apostílas, artigos, relatórios, projetos, fotos, entre outros
P7 Simulações do comportamento dinâmico da cadeia/cluster Qualquer elemento da cadeia poderá estudar o comportamento provável da cadeia em consequência de mudanças, como aumento da produção, catástrofes, etc.

Processos típicos em Portais Web para Gestão de Clusters/Cadeias Produtivas.

É importante notar que o Portal Web deverá estar pronto para suportar diferentes processos a partir das interações entre diferentes combinações de atores produtivos (papéis diferentes) ou em diferentes tipos de negócios. Por exemplo, uma interação entre um fornecedor de insumos e um produtor deve envolver processos de marketing, comparação, e "pré" procurement (P1, P3 e P4); uma interação entre consumidores finais deve envolver intercâmbio e entrega de conteúdos (P2 e P6).

Informação disponibilizada no Portal CENINSA

É sob a visão de sistemas agroindustriais de Davis & Goldberg que a informação a está disponibilizada na base de dados do sistema de informação do Portal CENINSA. Logicamente que algumas adaptações e reformulações foram feitas de acordo com o contexto, complexo e realidades das cadeias ou arranjos produtivos e clusters atendidos nesta primeira versão.

De acordo com GUERRERO (1998), numa estrutura adequada de um sistema para gestão de cadeias ou complexos agroindustriais, as informações devem ser organizadas da seguinte forma: grupos centrais englobando os itens insumos, produção, processamento, distribuição e mercado consumidor; e grupos periféricos, que também em evidência englobarão tecnologias, armazenamento, transporte, políticas públicas, crédito e financiamento, órgãos de ensino/pesquisa/extensão e coordenação, e profissionais do agronegócio.

Dado à sua complexidade, funcionalidade e importância, ou seja, um sistema que permite o cadastramento, a busca e pesquisa de informações, além da possibilidade de agenciamento (informediação) de negócios entre as empresas e instituições dos diversos elos dos grupos principais e periféricos das principais cadeias produtivas e/ou clusters regionais (business-to-business), o mesmo precisará ter uma marca forte no mercado de informação. A marca sugestiva foi CENINSA, ou seja, Central de Informação para Sistemas Agroindustriais da Região Nordeste.
Ressalta-se que, para a definição e elaboração dos formulários de cadastramento dos grupos e sub-itens dos grupos, foram contatados especialistas em cada área, de forma que as informações obtidas são realmente importantes e relevantes para os diversos elementos e atores das cadeias ou arranjos produtivos, futuros usuários do sistema de informação. Esses especialistas representaram suas instituições que atuaram como parceiras no desenvolvimento do projeto, a saber: PEASA/UFCG, SEBRAE/PB, SENAI/FIEP, EMATER/PB, EMEPA/PB, SICTCT/COMPET, SEPLAN/PB, SEPLAN/RN, FEJAL, AMDE/PMCG, entre outras.

O projeto da base de dados conta com a participação de técnicos especializados e analistas de sistemas das instituições parceiras do projeto, que desenharam a arquitetura da mesma utilizando a metodologia da Engenharia de Informações. Após a especificação e o planejamento da base de dados, as diretrizes para a construção do modelo conceitual de dados, a definição da arquitetura tecnológica, o modelo de organização e funcionamento do suporte aos bancos de dados, foram terceirizados à Fundação Parque Tecnológico da Paraíba e ao Departamento de Sistemas de Computação da Universidade Federal de Campina Grande.

Povoamento do Sistema de Informação
Para a obtenção e alimentação da informação disponibilizada nas bases de dados do Portal CENINSA, foi solicitado o apoio de técnicos especialistas em agronegócio das instituições parceiras do Projeto, tais como: SUDENE, ABIPTI, Institutos de P&D/Ne, Empresas Estaduais de Assistência Técnica Rural, Universidades da Região, Empresas Estaduais de Pesquisa Agro-Pecuária, Unidades da EMBRAPA, Unidades do INCRA, Unidades do IBAMA, Superintendências Estaduais de Políticas Fundiárias, Centrais Estaduais de Distribuição de Produtos Agropecuários, Sistemas das Federações das Indústrias dos Estados (FI/IEL/SENAI/SESI), Conselhos Municipais de Agricultura, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Cooperativas de Produtores Rurais, Federação dos Trabalhadores da Agricultura, CONTAG, CNA, CNI, ABAG, entre outras.

Além disso, o sistema estará sendo amplamente divulgado junto aos setores produtivos das cadeias e clusters estudados e implementados, para que empresas dos grupos principais fornecedoras de matéria-prima, de insumos, empresas produtoras, processadoras, distribuidoras, varejistas, consumidores, além de todas as empresas e instituições dos grupos periféricos possam se cadastrar e usufruir um sistema de negócios business-to-business, ou seja, bolsas ou centrais eletrônicas de compra e venda de mercadorias e serviços tecnológicos entre os diversos elos das principais cadeias ou dos complexos produtivos dos clusters prioritários da região Nordeste.

 

CENINSA - Central de Informações para Sistemas Agroindustriais.
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